Impedidos pelo Covid, no Natal de 2022 viajámos por Lisboa, numa experiência surpreendente.
25 de dezembro de 2020, plena época do COVID. Um dia de Natal diferente, quase a preto e branco. Há muito anos que não passávamos esta época natalícia em Portugal. Aproveitamos este período para descobrir novas realidade, num desejo de descobrir o mundo. Este ano, pelo período que vivemos, lá teve de ser. Assim sendo, nada como aproveitar este dia especial, para fotografar Lisboa, e conhecer também uma outra realidade, que abaixo vão ver e sentir.
Pela manhã, já a luz tão
característica da cidade iluminava os prédios, quebrando o frio que ainda se
fazia sentir.
As ruas, praticamente desertas, apenas interrompidas por um ou outro carro, uma ou outra pessoa. Poucos lisboetas nesta parte da cidade, Entrecampos. Apenas os verdes invasores papagaios palram incessantemente, nas árvores já despidas de folhas.
O imenso relvado da Alameda continua apenas ocupado por pombos, que vão fugindo à nossa passagem. As crianças já não devem receber bolas de futebol.... Estranhamente, um ramo de rosas brancas jaz no solo. Mais abaixo, solitário, um homem contempla ao longe a Fonte Luminosa, que hoje funciona.
Mais para o centro da cidade, a imponente Avenida da Liberdade continua despida de pessoas e trânsito.
Muito raramente alguém aguarda pelo autocarro, que, tal como as ruas, circula vazio. Nas lojas, fechadas e estranguladas pelo COVID, verificam-se os preços nas montras, à procura da oportunidade.
No Hipódromo de Olissipo – sim, o Rossio – entra-se na multiculturalidade de Lisboa e sente-se a agitação, que infelizmente a cidade perdeu nos últimos difíceis meses. Zona de convívio e ponto de encontro de várias culturas, uns aproveitam a excelente luz para sacar bons bonecos para o Insta, outros aproveitam para descansar.
Um outro ouviu falar das “ondas do Rossio” e trouxe a prancha. Teve azar que o mar por aqui estava mesmo flat. Talvez tenha sido presente do Papai Noel.
Em direção ao rio, uma senhora passeia os 3 canitos. Metemos conversa. Um é do filho que veio cá passar o Natal. A cadela já está velhota nos seus 16 anos, mas deixam-na levar os cãezinhos para o emprego. Bom emprego! Profissão e empresa não apurada na conversa...
Vendedores da África Subsariana e da América Latina, tentam a sua sorte com carros telecomandados, gorros e cachecóis, mas clientela muito escassa.
As laterais continuam desertas, as lojas encerradas, muitas, infelizmente, definitivamente. Aqui e ali um turista, o que é bom sinal. Nos cafés e restaurantes abertos, vai-se vendo, felizmente, movimento. O dia não está perdido. O elétrico, esse, é que circula deserto.
No seu sopé, uma senhora que infelizmente já nem saberá o que é o Natal, tenta ganhar mais um dia. É apenas mais um dia para sobreviver...
No regresso, a rua já tem mais movimento. A aproximação do acender das luzes que enfeitam a cidade nesta época, vai atraindo curiosos. Para já, o Homem-Aranha, brasileiro, tenta umas moedas com uns compatriotas.
Mais acima, estuda-se, com convicção, a história da Pastelaria Suíça.
Os relvados continuam desertos. Não se oferecem mesmo bolas de futebol no Natal...Futebol só mesmo na PS4.
Junto ao rio, um grupo de turistas anima a zona. Top models asiáticos vão evoluindo em poses Vogue, enquanto outras dão saltos para atingir a perfeição na tão típica foto em suspensão.
Alheio a isto, um pescador tenta a sua sorte. Acho que o Menino Jesus não foi amigo. Sim, eu sou do tempo em que Menino Jesus é que trazia os presentes.
Pensando talvez nos presentes que não tiveram, duas amigas apreciam um tinto e contemplam, com ar bucólico, o pôr-do-sol ao longe. O mesmo faz o Infante, mas com uma pose mais altiva e aventureira.
Este é na realidade o dia da Estação Fluvial. Dia esse que acabou, e os autocarros desejam FELIZ NATAL.






































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