Crónica 1 – Lisboa -Helsínquia - Seoul
Viagem realizada em agosto de 2025
Esta viagem começou bem. O motorista TVDE que
nos levou até ao aeroporto de Lisboa, muito simpático e interativo, de origem egípcia,
fez-nos alegrar o dia, com a sua boa disposição.
Desta vez a escolha de companhia aérea recaiu sobre a Finnair. Com escalas largas em Helsínquia, 18 horas na ida e 7 horas no regresso, conseguimos bilhetes a metade do preço do que em voo direto via Korean Air. Acreditem que foi uma poupança significativa.
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| Sol da meia-noite |
Voo com atraso de 1 hora, à saída de Lisboa, médio curso, 04H30, sem televisores a bordo. Poderiam melhorar este aspeto. De oferta, apenas água e sumo de mirtilos. Mas é assim a aviação moderna. Chegada ao destino por volta da meia-noite, e ainda se vislumbrava no horizonte, o laranja do pôr-do-sol, que muito em breve iria voltar a nascer. Com 17 horas de escala, barras energéticas, e uma soneca retemperadora num canto do aeroporto, praticamente vazio aquela hora, e dali a umas horas estávamos prontos para visitar Helsínquia.
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| Helsínquia |
Sete da manhã e comboio para a cidade, local onde tomaríamos o pequeno-almoço, porque no aeroporto, as lojas ainda dormiam. Logo à saída para a estação, uma surpresa: um enorme ecrã gigante, passava uma ópera. Perto da Estação Central, onde termina a linha que vem do aeroporto, a melhor opção para a primeira refeição do dia, é o Smart 24, com um bom equilíbrio entre qualidade e preço.
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| Helsínquia |
Primeiro contratempo: os cacifos para deixar malas, estavam numa zona em obras, sem acesso, pelo que tivemos de carregar as mochilas com toda a nossa bagagem para esta viagem (felizmente com peso de bagagem de mão – 8 kg), na visita que fizemos à cidade.
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| Helsínquia |
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| Helsínquia |
Pelo cedo da hora, não estavam ainda abertas algumas Igrejas que queríamos visitar, fazendo a visita apenas pelo exterior. Igreja de São João, Igreja Ortodoxa e Catedral, sendo que esta última está em obras e sem nenhum tipo de acesso. A manhã foi passada no porto, no mercado antigo e por algumas ruas de Helsínquia, que contêm edifícios com uma variedade arquitetónica de relevo, entre Romantismo Nacional, Art Nouveau, Neoclassicismo e Funcionalismo.
O mercado antigo, em funcionamento desde 1889, foi o que mais nos despertou a atenção. Pequenas bancas, vendem produtos típicos do país, onde reina o salmão, a rena e o alce. No exterior, pequenas tendas vendiam artesanato, legumes e frutas. Deram-nos a provar, acabadinhos de chegar da floresta, morangos silvestres. Dos melhores que comemos até hoje.
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| Interior do mercado |
Mês de férias, pouco trânsito automóvel, mas sempre muitas bicicletas. Muito civismo na condução, uma vez que nem uma buzina se ouviu, nas nossas voltas pela urbe. A cidade é algo escura, cortada por algumas praças com espaços verdes, com destaque para o grandioso Esplanadi, onde a arte se encontra com o município e os habitantes.
Para almoço, voltámos ao Smart 24, que tem um buffet de saladas, digno de um estrela Michelin. Fica económico e a qualidade é absolutamente fantástica. Coloquem salmão fumado sem cerimónias, porque é dos melhores que vão comer. Paga-se ao peso. Cada salada ficou por 7 €, um preço manifestamente bom, para a capital da Finlândia. As escadas laterais da Estação Central serviram de ótima esplanada, para desfrutar este pitéu.
Regresso ao aeroporto, novamente de comboio. Tirem os bilhetes na máquina mesmo junto à plataforma do comboio. Se adquirirem no Kiosk, dentro da estação, pagam uma taxa de um euro por cada um. Aproveitem para visitar a estação, com uma arquitetura Art Nouveau muito interessante.
E mais um voo nos esperava, desta vez de 12 horas, até Seoul. Desta feita, o avião já com televisores e catering para os passageiros. Mas o melhor mesmo era tentar dormir, para chegar fresquinho ao destino na manhã seguinte.
A Coreia do Sul, resulta da
unificação de 3 reinos, no século VII. No final do século XIX, e com as
crescentes expansões imperialistas do Japão, Rússia e China, passou a ser, a
partir de 1910, uma colónia japonesa. Durante 35 anos a população sofreu grandes
violações de direitos humanos, tendo recuperado a sua independência, com a
derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, em 1945. Contudo, o país acabou
sendo dividido em duas zonas de ocupação, sendo que a norte, ficaram tropas
russas e a sul, tropas americanas, divididas entre o paralelo 38. Em 1950, e
durante 3 anos, desencadeou-se a Guerra da Coreia, com o Norte a invadir o Sul.
A guerra terminou com um armistício, mas nunca houve um tratado de paz formal,
pelo que a península ainda hoje se encontra dividida, entre Coreia do Norte e
Coreia do Sul. A fronteira é conhecida por DMZ, zona desmilitarizada, e tem uma
extensão de 250 km por 4 km de largura, 2 km para cada país. É uma zona tampão
entre as duas Coreias, fortemente militarizada e vigiada, por ambos os lados,
sempre com uma grande tensão, pois as provocações continuam. Do Sul lançam-se
balões com panfletos anti-regime, pen drives com música e até dinheiro.
Do Norte vêm balões com lixo e fezes. Pelo menos 4 túneis, vindos da Coreia do
Norte, já foram descobertos no Sul, para uma possível infiltração de tropas em
caso de nova guerra.
Após o fim do conflito, a Coreia
do Sul iniciou o seu programa de reconstrução, e depois de alguns governos
autoritários, iniciou uma transição para a democracia a partir dos anos 80.
Hoje é uma das maiores economias do mundo, reconhecida pelas suas marcas
tecnológicas de topo como a Samsung e a LG, e pelas suas marcas automóveis, a
Hyundai e a Kia. De destacar também a cultura vibrante do K-pop e as famosas
séries coreanas, com destaque para o Squid Game. A educação é outro
ponto levado muito a sério no país. Só para se ter uma noção da importância que
se dá a esse tema, em novembro há o principal exame nacional do país, que é o
de acesso à faculdade, o Suneung. Este exame é que vai ditar a que
universidades o estudante pode ter acesso, mediante a sua nota. Nesse dia, o
espaço aéreo do país é encerrado por 30 minutos, para que o ruído não interfira
no exame e o dia de trabalho em todas as empresas e organismos públicos começa
mais tarde, para evitar congestionamentos que possam stressar os estudantes
Na próxima crónica vamos então
começar a explorar Seoul.










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