Grécia dia 1
Início da road-trip de
Natal, por 3 ilhas gregas: Creta, Santorini e Rhodes. Vamos chamar-lhe “ilhas
gregas de inverno”. Voámos na AEGEAN, primeiro para Atenas, com uma escala de
10 horas, antes do voo para a primeira ilha da viagem, Creta. Oferta de pequena
refeição a bordo, o que já não é muito usual em companhias europeias. A aviação
perdeu todo o seu glamour. Ainda me lembro de um voo há muitos anos para
Frankfurt, onde antes do jantar, serviram amendoins com uma bebida que se podia
selecionar entre várias, enquanto deixavam a carta para escolha da refeição. E tudo
isto em económica! Voltando à nossa escala, noturna, aproveitou-se para limpar
o email, e escrever mais algumas receitas para o blog, outra das paixões. Se
forem entusiastas, deixo aqui o endereço: https://arrozoumassatemdeserbatatas.blogspot.com/.
Mais uma noite de “direta” em
viagem, sendo que este aeroporto é pouco friendly a viajantes
dorminhocos. Não há salas com luzes reduzidas, e durante a noite, de repente, a
música começa a tocar bem alto. São 4 da manhã e parece o encerramento do Urban
Beach!
Finalmente o voo para Creta.
Curtinho, mas mesmo assim, oferta de uma bolacha e café. Algumas filas atrás de
nós, duas pequenas miúdas foram a infernizar a vida dos “vizinhos”, com gritos
durante toda a viagem. Eu por acaso gosto de miúdos irrequietos, mas muitos
passageiros já ficavam com um ar enfadado.
O primeiro aluguer de viatura,
foi na SIXT, sempre via Discovery
Cars. Calhou-nos um Fiat Panda, sem tampa de bagageira. Felizmente havia
muitos no parque e o simpático funcionário foi de imediato retirar a outra
viatura. Fizemos o seguro 100% Total na Discovery Cars, pelo que nestes casos a
companhia bloqueia um valor no cartão de crédito. Se optarem por esta solução,
tenham atenção a este detalhe, informado no site, antes da confirmação da
reserva.
E começámos a conhecer Creta, a
maior ilha da Grécia. Tem 250 km de comprimento, com uma cadeia de montanhas,
de encostas suaves a norte e penhascos abruptos a sul. É uma das 227 ilhas
habitadas do país.
A primeira visita foi ao Palácio
de Knossos, o maior e mais importante local arqueológico da Grécia. Foi o epicentro
da sofisticada civilização minoica, da Idade do Bronze. Sendo domingo, poupámos
44 €, uma vez que não se paga entrada neste dia. Este palácio possuía complexos
sistemas de armazenamento de água, azeite e cereais, em gigantes potes de barro,
áreas administrativas, salas reais e de rituais. Tem uma estrutura labiríntica,
que se pensa ter a ver com a lenda do Minotauro, que, caso entrasse na cidade,
ficaria preso no labirinto. Possuía frescos belíssimos, com cenas do
quotidiano, natureza e religião. É um testemunho da primeira grande civilização
europeia, conhecida pela sua talassocracia – domínio marítimo – escrita e
adoração do touro. Existiu entre 2200 a.C-1450 a.C, sendo depois desse período assimilada
pelos micénicos, vindos do continente. O seu declínio poderá ter a ver com
catástrofes naturais ou invasões, não se sabendo explicar efetivamente o seu
desaparecimento. Mais tarde, a ilha passou pelas mãos de árabes e bizantinos.
Almoço num restaurante local, com
empregados muito simpáticos. Um gyro de porco e um outro de borrego, para
abrirmos as hostilidades gastronómicas locais. A escolha do borrego gerou uma
“discussão” amigável com o empregado, porque ele não gostava de borrego. Sempre
atenciosos, a perguntar se estava tudo bem. Quando tratamos as pessoas com
respeito e delicadeza, também somos respeitados e acarinhados.
Quando íamos pagar a conta na
caixa, tivemos de voltar à mesa, porque um dos empregados trazia um prato com
bolos e gelado, “on the house”.
Depois de uma agradável refeição,
o objetivo era ir ao museu arqueológico de Heraklion. Contudo, e em vésperas de
Natal, numa zona antiga da cidade, onde se concentra o comércio, e após muitas
voltas, foi impossível conseguir lugar para o carro. Nem no estacionamento
pago, onde estava uma confusão diabólica, com carros a querer entrar e a tapar
as saídas dos que queriam sair. Caótico! Mas como vamos regressar a esta cidade,
e teremos aí oportunidade de visitar o museu, optámos por seguir caminho, numa
rota sem reservas de alojamento, como gostamos, e que nos dá uma liberdade
incrível de alterar o programa mais ou menos pré estabelecido.
O dia está lindo, com uma luz
fantástica para fotografar, e a temperatura de 20 graus, permite andar de
t-shirt. Percorremos uma estrada panorâmica, mesmo junto ao mar, que estava
sereno e com um azul lindo! Até pessoas na praia havia, e na realidade era
mesmo isso que apetecia. Sem reservas de alojamento, acabámos por ficar numa
outra localidade, que não a prevista, e que nos pareceu bastante simpática. Uma
cidade, com ambiente de vila, piscatória, Hersonissos, praticamente deserta,
com 95% dos estabelecimentos encerrados, que só abrem na época de turismo, de
abril a outubro. Uma maravilha!
Busca de alojamento no Booking,
e, ao balcão, ainda conseguimos um preço melhor, que Genius 3. Com
pequeno-almoço e upgrade de quarto com vista para o mar, num hotel de 4*, https://www.palmerahotel.gr/, pagámos
pouco mais de 60 €.
Esta cidade, com origens que
remontam aos dórios, prosperou durante o período romano, sendo que no século
IV, um grande terramoto, destruiu-a praticamente toda. Poucos vestígios restam
da sua história. Apenas conseguimos ver, na marginal, o telhado de uma fonte
romana.
Pela cidade, dezenas de gatos
fazem as delícias da Ana. O jantar foi numa pequena pizzaria. Quase que caímos
para o lado quando vimos o tamanho da pizza. SuperXL! Deliciosa, daquelas
fininhas, bem crocantes.
Dia 2 Creta
Assim que acordámos, tivemos a
vista fantástica do nosso quarto, para um mar que continuava tranquilo,
transparente e com uns tons de azul lindos!
Ao pequeno-almoço, companhia de
dois pachorrentos gatos, que olhavam para nós a ver se lhes tocava algum
petisco. Não foi fácil tirar a Ana da sala de refeições.
De volta à estrada, a direção de
hoje era para as montanhas. Ainda tivemos mais uns quilómetros junto à água, e
passámos por ruas e ruas de bares, restaurantes, rent-a-car, rent-a-bike,
tours, enfim, tudo o que os turistas querem, mas nesta altura do ano, nem um
estabelecimento aberto.
Paragem na cidade costeira de
Malia, muito conhecida pelas suas praias de areia dourada e águas
azul-turquesa. Sem turismo, estava muito tranquila, a cidade velha praticamente
deserta, proporcionando um passeio muito agradável, que nos permitiu descobrir,
muito relaxadamente, todo o seu charme. Bem perto da costa, a Ilha de Afentis
Christos, com a sua pequena capela Senhor Cristo. Todos os 6 de agosto, a
capela realiza uma grande celebração, que atrai muitos visitantes, quer locais,
quer de outras partes da ilha de Creta. Na ilha ainda restam vestígios de um
quartel veneziano e um cemitério minoico.
Tempo de rumar às montanhas, com
o intuito de visitar, em primeiro lugar, o Mosteiro Feminino de Panagia
Theogennitoros.
Não foi fácil percebermos que
estava aberto. Um enorme portão metálico barrava a entrada do carro, e não se
via vivalma. Tocámos várias vezes o sino e quando já estávamos prestes a
desistir, surge ao longe uma freira, que nos grita, primeiro em grego e depois
em inglês, “está aberto”. E não é que havia uma pequena porta, que nem se dava
pelo ferrolho, e que dava acesso ao complexo. Fomos gentilmente recebidos pela
freira, que informou de imediato ser proibido fotografar no interior da igreja.
Só podemos fotografar as vistas, que na realidade são de cortar a respiração,
tal não é a localização do Mosteiro, com uma vista deslumbrante para Malia.
Apesar de haver sempre velas disponíveis, fomos à loja comprar um molho
gigante, com mais de 20 velas certamente, para iluminarmos devidamente, toda a
nossa família e amigos. No final, a freira ofereceu-nos bolinhos, que são
bênçãos do Mosteiro. Ficou muito sensibilizada por termos acendido tantas
velas, e ficámos ali um tempo à conversa. Entrou para o Mosteiro com 29 anos,
mas não sabemos a idade atual. Talvez tenha entre 50 e 60 anos.
Próxima paragem em Mochos, uma
típica aldeia de montanha. Pelas ruas, grupos de crianças tocam ferrinhos e
cantam músicas de Natal, para receberem dinheiro. Uma tradição grega nesta
época, algo semelhante ao nosso Pão por Deus.
Salta à vista que a Praça Central
é o centro nevrálgico da localidade, com os seus cafés e tabernas, num ritmo
muito agrícola. Tem um ditado, que diz, “em Mochos, ninguém é estrangeiro por
muito tempo”.
Mas o ponto alto, aconteceu
quando demos com um café de decoração antiga, mas com muita alma. A porta
estava semiaberta e espreitámos. Do outro lado da rua, um velhote que dormitava
ao sol, faz-nos sinal para entrarmos, o que fizemos. Afinal o café era dele,
não funcionando no presente como tal. Hoje é a sua habitação. Sem falarmos
grego e ele sem falar inglês, estivemos um bom bocado a conhecer a sua
história. A sua mulher faleceu há 4 anos, e vive sozinho. Explicou as
fotografias antigas que recheavam as paredes. Uma dele, com a farda de polícia
e outra muito mais antiga, na marinha. O pai também foi polícia e tinha fotos
deliciosas. Ofereceu-nos rebuçados, e, houvesse uma comunicação fluída,
tínhamos ficado ali o resto do dia, a ouvir as histórias que certamente ele
terá para contar. São estes pequenos momentos que nos levam a viajar. São estas
surpresas que nos impelem a ir e a explorar. Foi mesmo o ponto alto do dia e
talvez de toda a viagem.
Ainda nesta localidade, tentámos
ir à barragem, mas a estrada estava péssima, e optámos por retroceder, não
fosse o Panda ficar-se por ali. Esta barragem, Aposelemis, submergiu a aldeia
de Sfendyli, que vai reaparecendo se o nível da água baixar muito.
Um pouco mais adiante, visitámos
a aldeia de montanha de Krasi. Pequena, tranquila e muito rural. É conhecida
pelo seu plátano monumental, um dos mais antigos e maiores de Creta. Ponto
central da aldeia, onde todas as decisões comunitárias importantes foram
tomadas. Dizem ter mais de 2.000 anos. Cresce junto a uma fonte de água, que
segundo consta, nunca secou. Essa água sempre foi utilizada nos lavadouros de
roupa da aldeia, as antigas “redes sociais”, onde as notícias circulavam, entre
uma ou outra coscuvilhice.
Mais para o interior, e à beira
da estrada, mesmo no enfiamento com o mar, de onde vem o vento dominante,
surgem repentinamente fileiras de antigos moinhos em pedra, que, apesar de
muito destruídos, ainda mostram a sua opulência. Em tempos idos, para além da
sua função de moagem, funcionavam como ponto de observação para proteção do
planalto nas suas costas. Uma lenda local, era a de quando as pás giravam muito
depressa, com pouco vento, algo importante aconteceria.
Depois dos moinhos, um enorme
planalto, o de Lasíthi, surge à nossa frente, numa paisagem essencialmente
agrícola, a contrastar com a dos relevos montanhosos, onde as cabras e ovelhas
são rainhas. Um pouco mais de frio, a 840 de altitude. Nas montanhas circundantes,
os picos mais altos estão pintados de branco. Local de muitas hortas, pela
fertilidade do terreno. Dezenas de pequenos moinhos de vento para bombear água,
salpicam a paisagem.
Sem restaurantes abertos, o
almoço foi comprado num pequeno supermercado, numa das várias pequenas aldeias
do planalto. Empadas folhadas de queijo, ainda mornas, deliciosas, e umas
tangerinas sumarentas e doces, tornaram a merenda muito agradável, degustada à
porta de uma pequena igreja, abrigados do frio, que soprava gelado.
Voltamos à estrada sinuosa de
montanha, e nuvens pretas, ameaçadoras de chuva, aproximam-se, mas para já foi
apenas uma ameaça.
O destino do dia era a cidade
costeira de Agios Nikolaos, muito conhecida pela lagoa Voulismeni, localizada
no centro da cidade, de uma beleza singular e com ligação ao mar. A cidade tem
uma atmosfera muito pitoresca, e a grande animação de Natal, acontece nas
margens da lagoa. Num dia sem vento, como o de hoje, a lagoa está um espelho
fantástico, tornando-se num spot fotográfico ainda mais apetecível.
Estacionar o carro é sempre uma
aventura. Pouco espaço disponível, torna a tarefa muito complicada. Nem quero
imaginar o que será no verão com mais uns milhares de viaturas a circular na
estrada e nas cidades.
De novo, alojamento negociado ao
balcão e conseguimos ainda um pouquinho menos que no Booking, Genius 3, ficando
por 60 €. E ainda tivemos upgrade para vista de lago, no último piso. https://dulachotel.gr/.
A cidade surgiu no período
minoico, e no período bizantino foi batizada com o nome atual, em homenagem ao
padroeiro dos marinheiros, São Nicolau. Várias lendas existem sobre a sua lagoa
de água doce. Uma delas diz que a deusa Afrodite ali nadou.
O jantar foi à beira do lago, já
iluminado com as luzes de Natal e fim de ano, no restaurante Celeste. Staff
mesmo muito simpático. Perguntaram de onde éramos, porque turistas praticamente
não se veem. Um dos funcionários passou então a dizer obrigado para mim e
obrigada para a Ana. Expliquei que sendo homem só diz obrigado. Mesmo não
pedindo, trouxeram sobremesa, oferta da casa. Já é a segunda vez. A Ana comeu
calamares, que aqui são pequenas lulas fritas, com um aspeto maravilhoso, e o
prato ficou no top 3.
Grécia dia 3 - Creta
O dia amanheceu bonito, com uma
luz fantástica! Deu mais espetacularidade à estrada junto à costa, que fizemos
durante uns quilómetros, antes de nos dirigirmos novamente para as montanhas.
Pela primeira vez vimos uma praia
com ondas, a de Voulisma. Linda! Também conhecida como Golden Beach, pela cor
da sua areia. Uma das mais bonitas que vimos até agora. As várias tonalidades
de azul da água, dão-lhe uma beleza fenomenal! E estava completamente deserta.
Até dava para um banho, porque a temperatura do ar estava bem agradável, com 22
graus e a água deveria rondar a mesma temperatura.
Voltando para a montanha, quase
toda ela está forrada a oliveiras, e fortemente povoada de cabras e ovelhas.
Hoje é dia de safra, e cruzamo-nos com muito pessoal a trabalhar nos olivais,
com varejadores mecânicos. Como cá, trabalho para estrangeiros.
Visita ao mosteiro Moní
Faneromenis, onde um padre, muito simpático, nos contou a história do mesmo. A igreja
ocupa uma antiga caverna, com uma longa história. Um ícone da Virgem Maria foi
descoberto nesta caverna há muitas centenas de anos, por um pastor que
procurava uma ovelha. Levou o ícone para sua casa e o ícone voltou sozinho para
a caverna. Isto aconteceu por 3 vezes. Passou então a ser considerado um lugar
sagrado, e com a divulgação do acontecimento, monges começaram a viver aqui,
ocupando várias grutas que existem nestas encostas, chegando a ser quase 100.
Daí nasceu o mosteiro, no século XIII. É um local de grandes peregrinações a 15
de agosto. No interior da igreja existe uma fonte, considerada sagrada e
associada a curas milagrosas por muitos fiéis. Por duas vezes o mosteiro foi
incendiado, no período da ocupação otomana, mas sempre recuperado e melhorado.
Dada a sua localização, num sopé de um desfiladeiro escarpado, e com uma vista
tremenda para a Baía de Mirabello, foi também usado como forte.
Regresso à costa, por uma estrada
cénica e sinuosa, a fazer slalom entre as muitas dezenas de cabras que
por ali andavam. Ainda nos cruzámos com o pastor, que orientava o rebanho de
carro, serra acima, serra abaixo, transportando toda a família. No banco
traseiro, uma criança que teria 5 ou 6 anos, seguia muito contente, agarrada a
um pequeno cabrito preto, certamente nascido há muito pouco tempo.
De novo na costa norte, para
apanhar a estrada que segue para a costa sul. Muito perto do cruzamento, tempo
ainda de visitar a igreja Agia Fotini, com uma vista linda para o mar. E
seguimos diretos para Lerapetra, na parte sul da ilha de Creta. Passagem pelo
LIDL, aqui muito comum, para comprar almoço e snacks para os gatos, com quem
nos vamos cruzando. Têm sido muitos e praticamente todos simpáticos e afáveis.
Para nós, continuámos nos rolos folhados de frango, que são absolutamente
divinais e tangerinas, que têm sido uma surpresa, pelo doce que são. A praia
foi a nossa esplanada, mesmo junto a um bunker que ali repousa, desde os tempos
da Segunda Guerra Mundial, hoje transformado em peça de arte urbana.
O próximo ponto seria Myrtos, uma
aldeia que nos surpreendeu bastante pela positiva. Antiga aldeia de pescadores,
hoje totalmente dedicada ao turismo, continua a manter muito do seu charme
pitoresco e tradicional. Tem uma extensa praia, de areia e seixos. Alguns
estrangeiros faziam-nos inveja, apanhando sol em espreguiçadeiras, numa tarde
bastante soalheira. A água parecia estar maravilhosa. Uma visita a não perder.
Na marginal da aldeia, os gatos são uma constante, e os snacks fizeram um
sucesso tremendo, apesar de aqui, todos os habitantes tratarem muito bem os
gatos de rua, fornecendo sempre comida e água. Mas um petisco é um petisco e
não se recusa.
A estrada abandona o recorte da
costa e segue um pouco mais para o interior, e a paisagem deixa de ser dominada
pelo verde e pelo azul-turquesa, para um manto branco, que se estende por
muitos e muitos hectares. Estufas! Milhares delas! Chamado também de “mar de
plástico”. São usadas essencialmente para o cultivo de tomates, pimentos,
pepinos, melões e abacates.
Continuámos para as montanhas, e
paragem em Viannos. Começamos logo com uma infração nas barbas de um polícia, a
estacionar o carro num lugar proibidíssimo! Nem o tinha visto. Até nas aldeias
pequenas, lugar para o carro é um desafio. Mas por sorte, o polícia foi
simpático e disse para deixar.
Esta aldeia é tristemente
conhecida, por ser o local onde os nazis massacraram 500 civis, em 1943, em
resposta à forte resistência da população à sua invasão. Destruíram várias
aldeias nos arredores. Um memorial, lembra todos os que pereceram, para que a
memória não se apague. Tem um museu alusivo a esta triste história, que não
conseguimos visitar. Neste período de festas, tem de se agendar previamente a
visita. Percebemos isso noutras aldeias mais adiante, onde também tentámos
visitar alguns museus.
Continuamos pelas montanhas até
voltar a descer para a costa, na direção do destino do dia, Matala. Entretanto,
na viagem, busca-se alojamento, e o booking tem poucas opções. Quase
tudo encerrado. Vaga num alojamento local, caro para o que era, mas não havia
muitas mais opções.
Matala é uma aldeia costeira, no
sul de Creta, famosa pela sua praia de areia dourada e falésias de arenito,
onde grutas foram escavadas. Inicialmente foram utilizadas como túmulos na
Idade do Bronze, passando também com essa utilização para o período romano.
Matala saiu do anonimato para o turismo, com a contracultura hippie na década
de 60. As grutas passaram a ser habitação de centenas de hippies que para aqui
se deslocaram. Cat Stevens, Bob Dylan, Joni Mitchell, foram nomes que por aqui
passaram. Esta última faz menção à localidade, na sua canção Carey, com a frase
“sob a lua de Matala”. Anos mais tarde, os hippies foram gradualmente sendo
expulsos, mas Matala manteve sempre essa atmosfera, continuando a ser um local
de turismo alternativo.
Quanto à nossa estadia, Matala
nesta época do ano, é praticamente uma cidade-fantasma. Apenas um café aberto,
pessoas na rua não há. Somente os gatos se vão aproximando com a nossa
presença, e em poucos minutos já nos faziam companhia algumas dezenas. No
verão, será certamente uma loucura, com as centenas de espaços comerciais,
entre bares, lojas, restaurantes, que se concentram numa pequena zona da
cidade, em ruas todas elas pintadas com o chão pintado com desenhos variados,
relembrando a influência da cultura hippie que ainda perdura.
O jantar foi numa localidade
perto, num menu completamente grego: moussaka e salada grega. Mais uma vez, a
sobremesa foi oferta.
Amanhã é o regresso à costa
norte.
Grécia dia 4 - Creta
Matala, pela manhã, estava um
completo deserto. Apenas os gatos circulavam, e à nossa passagem, iam
seguindo-nos, na esperança de haver algum petisco. Hoje saímos do Sul e
voltamos à parte norte da Ilha de Creta.
Fizemo-nos à estrada e uns
quilómetros à frente de Matala, numa pequena vila, vimos uma padaria, e
encostámos o carro, para tomar o pequeno-almoço. Em boa hora o decidimos! Que
maravilha de estabelecimento! Em funcionamento há muitas décadas, com todo o mobiliário
original, e uns pastéis deliciosos! O aroma que tinha a pão fresco era qualquer
coisa de fabuloso. Adorámos verdadeiramente! Numa cadência elevada, crianças
entravam a tocar ferrinhos e a cantar músicas de Natal, para lhes darem alguma
oferta.
Depois desta reconfortante e
deliciosa refeição, regresso às estradas de montanha e aos seus típicos
vilarejos. Em Lambino parámos na Igreja Bizantina de Panagia, templo do século
XI. Estava encerrada. Foi palco de uma triste história, em 1829, quando Creta
estava sob o domínio otomano, mas com uma forte guerrilha contra esta ocupação.
Os turcos pediram aos habitantes que se rendessem, mas estes refugiaram-se na
igreja. A porta foi queimada, os homens executados e queimados em frente à
igreja, e as mulheres vendidas como escravas.
Na viagem para a cidade de Rethymno,
outros locais arqueológicos que pretendíamos visitar, estavam encerrados para
férias, pelo que a viagem foi mais rápida do que esperávamos. Nota para as
estradas da ilha. O que mais existem são duplos traços contínuos, com muito
poucos locais para ultrapassagens. Pouca gente respeita essa regra, porque até
grandes retas têm traços contínuos, o que por vezes não se entende. Aparecem
também muitos radares de velocidade, por vezes em zonas de velocidade máxima de
30 km.
Rethymno, que neste dia estava
com um trânsito absolutamente caótico, tem uma imponente fortaleza veneziana,
que protegia um dos portos mais estratégicos da ilha. A título informativo, bem
perto da entrada da fortaleza existem dois parques de estacionamento, pagos. A
visita à parte velha da cidade, é muito interessante, com as suas ruas
estreitas e labirínticas, pequenas praças e pátios escondidos, tudo planeado
para uma fácil defesa do perímetro urbano, em caso de invasão.
Sendo cedo, decidimos almoçar no
Lago Kournas, o único lago de água doce em Creta. Nesta altura do ano, inverno,
apenas patos se encontravam no local, já que todos os estabelecimentos se
encontravam encerrados. Esta excelente companhia, adicionando a maravilhosa
paisagem, transformou uma refeição simples, num almoço verdadeiramente gourmet.
A caminho de Chania, o ponto
previsto de paragem deste dia, paragem no cemitério militar alemão, onde estão
sepultados 4 000 soldados, mortos durante a invasão de Creta e nos anos
subsequentes de ocupação. A 20 de maio de 1941, milhares de tropas alemãs
aerotransportadas foram lançadas sobre a ilha, defendida na época por tropas
gregas e aliadas. Apesar de forte resistência, os alemães ocuparam a ilha, até
1945, num período negro da história da ilha, com retaliações brutais por parte
dos nazis, às muitas ações de resistência civil.
Junto ao carro, vários gatos
aguardavam a nossa chegada. Felizmente para eles, ainda havia alguns sticks do
LIDL, e foi a loucura. Um simpático gato amarelo, saltou para o meu colo, e
desfazia-se em meigos “ronrons”.
Destino final do dia é Chania, e
durante o caminho, reserva do alojamento, via booking. Paragem ainda num LIDL,
porque amanhã, dia 25, dizem-nos que quase tudo estará encerrado. Com a opção
de ficarmos alojados na cidade velha, o carro teve de ser deixado fora das
muralhas, num percurso de 10 minutos a pé, até ao alojamento.
Descobrir a receção comum a
vários alojamentos da mesma marca comercial, foi um verdadeiro suplício. Apesar
dos telefonemas, passeámos quase por todas as estreitas ruelas da cidade velha,
com as mochilas às costas, porque não estava a ser fácil à pessoa que estava do
outro lado da linha, explicar devidamente o trajeto a seguir. Mais tarde
soubemos que era a primeira semana de trabalho dela.
Dia 24 de dezembro, véspera de
Natal. Aqui não há bacalhau, nem jantar em família. Há sim um enorme convívio
no exterior, com milhares de pessoas em praças e ruas, a beber e a dançar ao
som de DJs. Ainda nem 21H00 eram, e já vimos alguns a sair em braços, com Raki
a mais. Raki é uma bebida alcoólica tradicional, com um teor alcoólico de 45.º,
com grande importância cultural e social. É um destilado forte, feito de uvas
fermentadas, e beber raki é um ritual social de convivência e amizade.
As adolescentes usam “farda” para
sair à noite. Quase todas de preto, com saias curtas e botas altas. E a
temperatura estava bem fresca.
Passámos ainda pelo mercado de
Natal da cidade, onde gentilmente um feirante nos ofereceu bolos típicos desta
época. Um russo, já com uma boa dose de raki, insistiu em tirar fotos com a
Ana.
Grécia - Creta dia 5
Dia de Natal, e saída de manhã
cedo, para explorar a parte oeste da ilha. Afinal há muita coisa aberta, e foi
fácil tomar o pequeno-almoço. Primeira
paragem na Igreja de São João Divino, em Kissamos, templo escavado numa rocha.
Tem ao lado uma gruta onde estão vários ícones religiosos, e muitos elásticos
de cabelo, que não conseguimos perceber o porquê. Muitas vezes os crentes
oferecem um pequeno objeto ligado a si. Pode ser essa a explicação.
E continuamos caminho por lindas
estradas de montanha, onde encontramos de tudo um pouco, desde paisagens de
tirar o fôlego, muitas cabras e hoje também alguns burros. Entre as centenas de
curvas, dezenas de paragens para tirar fotos e admirar a beleza natural que se
apresenta diante dos nossos olhos.
Finalmente chegamos ao objetivo
da manhã, a Praia de Elafonisi, uma das mais famosas e impressionantes da ilha,
pela sua beleza única e águas rasas cor de turquesa. A sua areia é branca e
rosa, sendo que o rosado provém de fragmentos de conchas e corais. Neste
período do ano, estava praticamente deserta, e o ambiente estava muito
tranquilo e agradável. O dia estava lindo, com uma temperatura de 24 graus e a
água deveria estar bem agradável. Algumas famílias chegavam, carregadas de
“petiscos” para passar o dia de Natal, num local bem aprazível.
Um simpático gato foi
acompanhar-nos pelo passeio no areal, e deliciava-se com as festas durante as
paragens que íamos fazendo. No regresso, um cão ainda cachorro, foi-se meter
com ele, e o gato valentemente ripostou. Iniciaram uma longa corrida até à árvore
mais próxima, e o cão perdeu.
No regresso ao parque de
estacionamento mais de uma dezena de gatos nos aguardava. Mais uns sticks. Os
gatos abundam por toda a ilha e são bem tratados por toda a população.
Certamente por influência bizantina, veneziana e otomana, os gatos são
bem-vindos em todo o lado. Os gregos criaram a tradição de respeitar e cuidar
dos gatos, que maioritariamente são de rua. Atualmente fazem parte da
“paisagem” das ilhas gregas.
O regresso a Chania fez-se por
uma estrada mais rápida, e a tarde foi passada a conhecer a cidade, que tem uma
história riquíssima. Foi um icónico porto veneziano, e sente-se na sua
labiríntica cidade velha, a mistura de culturas que a compõem.
Tem um dos faróis mais antigos do
mediterrâneo ainda de pé, e as antigas casas de mercadores que envolvem o
porto, dão um colorido à paisagem muito interessante.
O jantar foi num restaurante
local, onde uma dose dava para duas pessoas. Descobrimos perto uma igreja
católica, que aproveitámos para visitar. Cá fora, uma artista de rua local,
“brincava” com o fogo. Visitámos também a Igreja Ortodoxa, do outro lado da
rua, onde acendemos mais uma vela. Não conseguimos ainda assistir a uma missa
ortodoxa.
Grécia – Creta dia 6
Penúltimo dia de viagem em Creta.
A estrada que seguimos, junto à costa, mostrava um mar muito tranquilo, como se
de um espelho se tratasse. As praias, com águas completamente transparentes,
pediam um mergulho. Um início de dia em beleza. Saímos da costa e voltámos para
as montanhas, para a primeira visita do dia, o Mosteiro de Arkadi. Nos picos
mais altos, vimos que a neve já se instalou, sendo que temos na costa, uns
agradáveis 18 graus.
Este mosteiro é um dos monumentos
históricos mais importantes de Creta, e é um símbolo de resistência e
sacrifício, durante a luta contra a ocupação otomana. Em 1866, durante a grande
revolta da ilha contra os otomanos, o mosteiro foi cercado pelas forças turcas.
Inicialmente foram repelidos, mas conseguiram no dia seguinte entrar no espaço.
Os defensores, militarmente inferiores, para evitar a captura e escravidão,
detonaram o paiol de pólvora, causando uma enorme explosão, e provocando a sua
morte assim como a de muitos turcos. Este ato heroico, tornou-se símbolo da
luta de Creta por liberdade. O paiol nunca foi reconstruído, para manter viva a
história, e assim mostrar a coragem, a resistência e o sacrifício do povo
cretense, às gerações vindouras.
Aproveitámos uma deliciosa sombra
junto ao mosteiro, para almoçar o que comprámos numa padaria/pastelaria, onde
tudo tinha um aspeto delicioso!
Próximo destino, a antiga cidade
de Eleuterna, um sítio arqueológico fascinante. Esta cidade foi fundada no
período minoico – 1200 a.C. – e esteve ocupada até ao século VII, época
bizantina. Era uma cidade-estado independente. O local é enorme e demora algumas
horas a visita completa. Fizemos a visita apenas a uma parte do complexo.
Infelizmente o museu que contém o espólio das escavações está encerrado, devido
ao período natalício.
Visitámos a aldeia tradicional de
Margarites, em plena montanha, conhecida por ser um dos maiores centros de
cerâmica e olaria tradicional da Grécia. A tradição de trabalhar a cerâmica, de
acordo com estudos históricos, iniciou-se no período minoico, continuando ao
longo dos séculos, até hoje. Visita também à antiga igreja de São João
Evangelista, do século XIV.
Já de novo junto ao mar, no porto
de numa pequena localidade, uma ninhada de 4 pequenos “modelos” de gatos,
proporcionou-nos uma sessão fotográfica maravilhosa. Um dos momentos altos do
dia. E ficámos sem guloseimas.
Chegámos ao destino deste dia, a
cidade de Heraklion, onde aproveitámos para passear na zona do porto e na parte
histórica. Esta tarde a chuva fez a sua aparição, mas felizmente por pouco
tempo.
Dizíamos ontem que não tínhamos
tido ainda a oportunidade de assistir a uma missa ortodoxa. Pois hoje, ao final
do dia, assistimos na Catedral Ortodoxa a um casamento, e a todas os seus
rituais.
Grécia – Creta dia 7
Hoje é dia de viagem para outra
ilha – Santorini.
Voo para Atenas só às 15h00, o
que nos permite visitar durante a manhã o fabuloso museu arqueológico de
Heraklion, com um espólio absolutamente incrível! Abre às 08H30, o que nos deu
mais um tempo extra para a visita. Fotos não são permitidas, e em todas as
salas há vigilantes.
O espaço alberga coleções da
Civilização Minoica, período grego antigo e romano, bizantinas e
pós-bizantinas.
Tem peças únicas, como o Disco de
Festos, que se considera ser um tipo de escrita minoica, ainda sem
interpretação.
Nesta época do ano, inverno, as
ligações entre ilhas são muito poucas, pelo que temos de regressar sempre a
Atenas, para fazer a transição para outra ilha. O voo Atenas-Santorini, foi
feito em ATR 72, que deu para matar as saudades dos aviões turbo prop.
Chegada à nova ilha já de noite,
e primeiro levantar o automóvel, reservado na Avance, via Discovery Cars, reservar
carro. Funcionário muito atencioso, que nos explicou todos os locais a
visitar. A seguir, descobrir o hotel. Desta vez a marcação do alojamento estava
previamente feita, uma vez que a ilha, sendo pequena, apenas um hotel serve de
base. A escolha recaiu no Villamanos em
Karterados, um hotel de gestão familiar. Os donos são muito simpáticos e
recebem-nos maravilhosamente bem. Já nos disseram que na última noite têm um
presente para nós. A ocupação nesta altura do ano é muito baixa. Na ilha faz um
vento fresco e os polares dão muito jeito. Amanhã um dia com muito para fazer.
Santorini dia 1
Como sempre, os nossos dias
começam bem cedo. A Ilha de Santorini, apesar de pequena, tem bastantes pontos
de interesse que pretendemos visitar.
Iniciámos por visitar Oia, talvez
um dos locais mais fotografados da Grécia, e sempre apinhado de muitos e muitos
visitantes, que freneticamente, procuram os melhores ângulos, para as Insta
fotos. Mas, de inverno, espantem-se, e fiquem com inveja, Oia estava deserta e
absorvida de uma luz fantástica! Livremente e sem qualquer tipo de confusão,
pudemos visitar calmamente a vila, apreciando devidamente a sua bela
arquitetura e as suas belas vistas para o Mar Egeu.
Oia tem uma arquitetura
característica, de casas-caverna, escavadas na rocha da caldeira do vulcão,
sobre o qual já falaremos mais adiante. As fachadas das habitações, são
maioritariamente brancas, para refletir o mais possível, os quentes raios do
sol de verão. Portas e janelas azuis, que parecem repetir a beleza do mar,
cúpulas redondas e escadarias que sobem e descem sem lógica aparente, compõem
todo este cenário idílico, quase parecendo que as casas falam com a paisagem, e
que nos dão uma sensação de suspensão, parecendo estarmos sempre à beira do
abismo. De antigas e humildes casas de pescadores pobres, passaram a turismo de
luxo, com deliciosos e apetecíveis jacuzzis na varanda, com vistas incríveis.
Os gatos são uma constante sempre
agradável, e se possível, levem uns snacks que eles agradecem.
Com o avançar da manhã, alguns
turistas, poucos, essencialmente asiáticos e indianos, foram surgindo na
paisagem. Ainda falámos com um jovem casal, sul coreano, possivelmente em lua
de mel, que nos pediram para lhes tirarmos fotos. As lojas, sem turismo,
encerradas quase na totalidade. O vento, que até então, era apenas uma brisa,
começou a subir de intensidade, e decidimos ir almoçar.
Voltámos à padaria, bem perto do
nosso hotel, que mesmo de inverno está aberta 24 horas, para uma refeição
rápida. Os pastéis folhados são uma perdição! Estávamos na fila para pagar, e
um senhor agarra as nossas bebidas, que tínhamos colocado no balcão, e informa
a senhora da caixa que é para colocar na conta dele. Deseja-nos Feliz Natal,
nós pagamos o resto, e começa alguma agitação entre ele e a funcionária, mas,
em grego, não entendemos nada. Uns segundos depois percebemos que ele tinha
dito à empregada para colocar toda a nossa conta para ele e não apenas as
bebidas. Mas esta irritação ligeira, rapidamente foi ultrapassada pelos dois e
tivemos um almoço bem interessante com o senhor, de nome que nunca conseguimos
entender. Albanês, a viver e a trabalhar há muitos anos na Grécia, como
cozinheiro. Muito orgulhoso da sua filha, falante de 5 línguas, e também a
viver e a trabalhar em Santorini. Fez até questão de falámos com ela por vídeo
chamada.
A parte da tarde foi dedicada a
visitar a antiga cidade de Akrotiri, soterrada por uma grande erupção vulcânica
por volta do ano 1600 a.C. A Ilha de Santorini foi formada por atividade
vulcânica durante milhares e milhares de anos, sendo que o vulcão que a formou
ainda está ativo, com uma erupção algo recente, em 1950.
Voltando à grande erupção, que
soterrou a cidade de Akrotiri, as cinzas vulcânicas provenientes desse evento,
soterraram e preservaram a cidade durante mais de três mil anos. Muitas vezes
esta cidade é considerada a Pompeia do Egeu. A explosão desta grande erupção
foi tão violenta, que o centro da ilha colapsou, formando a enorme cratera
circular, a que se chama Caldeira. É nessa caldeira inundada, que se encontram
nas suas falésias as vilas de Oia e Fira. Antes da erupção a ilha tinha uma
forma circular e depois da erupção passou a ter uma forma de lua crescente.
Ao contrário de Pompeia, nesta
cidade não foram encontrados corpos, pelo que os seus habitantes tiveram tempo
de fugir, de uma forma apressada, pelo que deixaram muitas coisas para trás,
mas com a intenção de conseguirem regressar. Uma enorme pedra, encontrada à
entrada da cidade, julga-se ter sido colocada para “fechar” a cidade, até ao
regresso dos seus habitantes.
O local está preservado por uma
cobertura, e a visita é feita por passadiços superiores, que percorrem uma
grande parte da cidade, e de onde podemos imaginar como seria a vida nesses
tempos recuados.
Fomos visitar a Red Beach, que
fica perto de Akrotiri. O seu nome tem origem no vermelho ferrugem das escarpas
que a ladeiam. Todo o conjunto desta praia, tem algo de uma bela pintura, com o
vermelho, o negro da pedra vulcânica e o lindo azul do mar Egeu. Aqui
percebe-se perfeitamente a brutalidade do nascimento desta ilha, de todo o fogo
que a envolveu, parecendo ainda que a erupção foi ontem, num cenário algo
marciano.
Fomos terminar a dia a Fira, uma
vila muito semelhante a Oia. O sol ainda não se pôs, mas muitos visitantes já
aguardam por ele. Igualmente suspensa sobre o abismo da cratera, as suas casas
brancas descem pela encosta, procurando o mar, em baixo. Há varandas que
parecem flutuar, e algumas cúpulas azuis interrompem o imaculado branco das
casas.
O Museu Arqueológico encerrado,
pelo período do ano, não permitiu a visita, que parece ser bastante
interessante, uma vez que guarda os lindos frescos encontrados em Akrotiri. O
branco foi passando lentamente a um dourado cada vez mais intenso, e chegou o
tão aguardado pôr-do-sol, que sem nuvens no horizonte, não foi tão espetacular
como seria de esperar, não deixando de ser lindo.
Santorini dia 2
Último dia na ilha, e mais uma
vez começamos cedo o nosso percurso. Na padaria onde costumamos ir, provámos
hoje umas filhoses natalícias, bem-parecidas com as que temos em Portugal, quer
em formato quer em paladar.
Visitámos algumas pequenas vilas
que fomos atravessando, tentando descobrir algumas particularidades que
pudessem ser pormenores ainda desconhecidos. Acabámos por descobrir belos
recantos, em locais muito pouco visitados por turistas certamente.
Tentámos visitar, no ponto mais
alto da ilha, a 567 metros de altitude, o Mosteiro de Prophet Elias.
Infelizmente, as visitas são às 05H30. Começamos o dia cedo, mas não tão cedo!
Mas as vistas são fabulosas, com uma visão quase a 360º da ilha: a caldeira, as
vilas e aldeias onde o branco predomina, as vinhas geometricamente plantadas.
Sim, sim, vinhas! Apesar da aridez do solo, é essa pobreza que dá um carácter
muito particular às uvas. A vinha aprende a sobreviver com pouca água e com
vento constante. Diferentes das nossas vinhas, aqui as videiras são podadas de
modo que fiquem enroladas em forma de ninho, junto ao chão. Esta técnica, já
muito antiga, protege as uvas do vento forte e do sol intenso, além de
aproveitar assim toda a humidade noturna, que se deposita no solo.
A casta mais cultivada é a
Assyrtiko, que produz vinhos brancos, secos e minerais como a paisagem da ilha.
Muitas das vinhas têm mais de 100 anos, porque a ilha está imune a pragas, o
que permite uma grande longevidade das videiras.
Segunda passagem pela vila de
Oia, porque a luz da tarde é muito diferente da luz da manhã. Quem gosta de
fotografia, está atento a estes detalhes. E na realidade, apesar do mesmo
local, a vila parece totalmente diferente. Hoje também mais povoada, com a
chegada pela manhã de um navio de cruzeiro. Até as lojas reabriram,
provavelmente apenas por este dia. Os gatos continuam a fazer as delícias desta
ilha, quer em Oia quer em Fira. Aliás, em qualquer lugar que se visite, os
gatos são uma constante, e quase todos muito simpáticos e afetuosos.
No regresso ao hotel, ao
princípio da noite, o prometido era para cumprir, e os donos do hotel tinham um
presente de Natal para nós. Uma garrafa de vinho local, na sua versão doce,
feito com uvas secas ao sol, antes da fermentação e envelhecido. Mas, impossível
de transportar na mochila, com muita pena nossa, pelo que agradecemos imenso a
amabilidade, mas não o poderíamos transportar. Foi o presente substituído por
uns bolinhos bem deliciosos. Pedem-nos também que façamos uma review na Booking.
O negócio baixou muito após a grande atividade sísmica do ano anterior.
Amanhã, dia de mais dois voos,
para o nosso próximo destino, a Ilha de Rhodes.
Rhodes dia 1
Saímos cedo de Santorini para
Atenas, aeroporto de escala para o nosso destino, a Ilha de Rhodes. Aterragem
por volta da hora de almoço. Chegada com chuva, com alguma intensidade. Levantar
o Fiat Panda, e seguimos para o check-in no Stay Rhodes Hotel, Stay Rhodes, alojamento bem localizado,
perto da praia e do Porto de Mandraki. A chuva continuava a não dar muitas
tréguas e descobrimos um pequeno restaurante, perto do hotel, com staff bem
simpático, e comida grega deliciosa Mr.Gs.Gyro Street Food.
A chuva decidiu fazer um
intervalo, e aproveitámos para dar um passeio exploratório pela cidade.
Começámos pelo Porto de Mandraki, onde, há muitos anos e à sua entrada, existiu
a famosa estátua do Colosso de Rhodes, erguido por volta do ano 280 a.C., em homenagem
ao deus Helios, no seguimento de uma vitória dos habitantes da ilha a um cerco
militar. A estátua tinha aproximadamente 33 metros de altura, e foi construída
em bronze e ferro. Foi considerada uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.
Acabou sendo destruída por um terramoto, em 226 a.C. e os seus restos acabaram
por ser vendidos como sucata ao longo dos tempos.
Esta ilha, com uma localização
muito estratégica no Mediterrâneo, teve várias ocupações. Os primeiros terão
sido os minoicos, na Idade do Bronze, vindo a seguir os gregos dóricos, que
tornaram a ilha num grande centro comercial e marítimo deste mar. Mais tarde,
em 164 a.C. chegaram os romanos, que incluíram a ilha no seu vasto império,
passando a ser muito conhecida pelas suas escolas de filosofia e retórica. Com
a divisão do império romano, a ilha ficou do lado bizantino. No século XIV
chegaram os Cavaleiros de São João, os Knights Hospitaller, ordem militar
surgida em Jerusalém, na época das cruzadas. Conquistaram a ilha em 1309,
transformando a cidade numa poderosa fortaleza, que ainda hoje faz parte da
cidade, e está classificada como Património Mundial da UNESCO. Por aqui os
cavaleiros ficaram 200 anos, até terem sido expulsos pelos otomanos. Após um
gigantesco cerco militar, que durou 6 meses, e em reconhecimento pela sua
resistência, os otomanos permitiram a sua saída, com armas, bandeiras e navios.
A estes cavaleiros, uns anos mais tarde, foi-lhes dada a Ilha de Malta, dando
origem à conhecida Ordem de Malta. Os italianos também por aqui passaram, e só
depois da Segunda Guerra Mundial a ilha passou finalmente a integrar a Grécia.
Aproveitámos a trégua da chuva,
que apenas intermitentemente deixava cair alguma água, para dar uma primeira
volta pelo interior da fortaleza medieval, que está muito bem preservada. Uma
das suas mais imponentes ruas, está ligada aos cavaleiros e chama-se mesmo a
Rua dos Cavaleiros. Era aqui que eles viviam e estavam organizados por línguas,
sendo que cada origem ocupava uma casa. Cada uma dessas comunidades, tinha a
sua própria “auberge”, uma espécie de palácio ou casa oficial, ao longo desta
rua. Desde o século XV, que a rua está praticamente inalterada. Chão de pedra,
fachadas com brasões esculpidos, edifícios muito austeros. Mesmo ao cimo da
rua, o imponente Grande Palácio, residência do chefe da Ordem.
Pelas ruas e pelos fossos da
fortaleza, várias bolas de pedra, são visíveis, e ali estarão, seguramente, há
vários séculos. São antigas balas de canhão e de catapultas, utilizadas pelos
Cavaleiros, na defesa da cidade.
No regresso ao hotel, passámos
pelo Casino, e fica a promessa de vir gastar 10 € uma noite destas. O jantar
foi no mesmo local do almoço, e mais uma vez, estava delicioso.
À noite voltámos de novo ao
porto, onde uma banda local tocava, e até que não era má. Faziam parte de um
festival de novo ano, e amanhã há mais, até porque será dia 31 de dezembro. Nas
zonas de bares, despejavam-se freneticamente garrafas de raki.
Rhodes dia 2
Último dia do ano, passado
inteiramente na cidade de Rhodes, com um clima mais apetecível do que o do dia
anterior.
Começamos pela visita ao Museu
Arqueológico da cidade, o antigo Hospital medieval dos Cavaleiros, construído
no século XV, no estilo arquitetónico gótico. A visita é imperdível, pela rica
e diversificada coleção de achados arqueológicos, incluindo os recuperados de
antigas cidades como Lalyssos, Kamiros e Lindos. São muitas as exposições a
visitar, nomeadamente de esculturas, cerâmica, joias, moedas, entre muitos
outros objetos, que explicam a longa história dos povos que ocuparam a ilha.
Fomo-nos perdendo pelas ruelas da
fortaleza, em caminhos de pedra, já muito gastas pelo passar dos séculos, e que
certamente guardam histórias sensacionais. Poucas pessoas vagueavam pelo local,
pelo que nalgumas zonas, quase que esperávamos ver, a sair de pequenas portas
de madeira, um cavaleiro ou um guerreiro otomano. Ainda se percebe pela arquitetura das casas,
como seriam os pequenos negócios, que durante séculos deram vida a estas ruas.
As fontes, pontos de abastecimento de água em tempos recuados, são lindas, e
verdadeiros trabalhos artísticos, de experientes artesãos.
No antigo bairro judeu, a fonte
dos cavalos-marinhos, um memorial às vítimas dos judeus de Rhodes, que foram
deportados para campos de concentração, durante a ocupação alemã, na Segunda
Guerra Mundial.
Perto deste bairro, as ruínas da
imponente igreja gótica, do século XIV, a Igreja da Virgem do Burgo, destruída
possivelmente durante o cerco da cidade, o que levou à saída dos Cavaleiros.
No porto, a azáfama de tempos
idos desapareceu. Agora é local de descanso de navios de cruzeiros em “férias”
e grandes ferrys que ligam a ilha ao continente. Os moinhos que ainda se podem
ver no Porto de Mandraki, são marcos medievais do século XIV. Os grãos que
chegavam em grandes navios mercantes, seriam ali moídos, para posterior
comercialização.
E o fim do dia aproximou-se a
passos largos, e estava na hora de voltar à praia junto ao hotel, um dos
melhores locais para o pôr do sol, com as montanhas da Turquia em fundo.
Mantivemo-nos fiéis ao primeiro
restaurante, e a simpatia do staff continua a ser impecável, assim como a
qualidade dos pratos que nos servem. No porto, a banda de hoje é péssima, e nem
conseguimos aguentar até à meia-noite. Amanhã, novo ano!
Rhodes dia 3
O primeiro dia do ano despertou
com frio e muito vento. O destino de hoje é a ponta sul da ilha, percorrendo
uma estrada cénica, que percorre a ilha junto ao mar. Hoje, o mar está com
muitas vagas, o chamado mar de vento. Por sorte, as praias desta zona,
completamente desertas, são de seixos polidos e coloridos, e não há “banho de
areia”!
As ruínas da antiga cidade de
Kamiros estavam fechadas, pelo que seguimos para o Castelo de Kritinia.
Construído pelos Cavaleiros de São João, para proteção de ataques otomanos, tem
vistas absolutamente espetaculares para o mar Egeu e para as vizinhas ilhas de
Chalki e Alimia. Entrada livre, mas de verão devem cobrar bilhetes, porque a
bilheteira existe. Nesta época do ano, apenas dois gatos bebés faziam as honras
da casa.
A estrada junto ao mar terminou,
e seguimos para o interior da ilha, para as montanhas. O frio torna-se mais
intenso e o vento mais forte. A vegetação passa a ser dominada por pinheiros e
vinhas rasteiras. Os veados surgem em zonas de pastagem.
Paragem na aldeia de Siana, para
visitar a Igreja Ortodoxa de São Panteleão, um médico cristão do século IV,
considerado santo Curador e padroeiro dos médicos. Uma simpática senhora
ofereceu-nos pão doce, um pão tradicional desta época do ano, que se oferece no
fim da missa, e levou-nos a uma pequena capela, a original, com frescos muito
antigos, e que não está aberta a visitantes. Pensam que existirá desde o século
IX.
A próxima paragem foi no Castelo
de Monolithos, uma fortaleza, que apesar dos anos e da degradação, ainda guarda
a sua espetacularidade e imponência. Construída no topo de uma grande rocha,
tem vistas maravilhosas. Antes de ter esta imponência, já tinha sido uma torre
de vigia e um castelo bizantino. Os Cavaleiros da Ordem de São João, deram-lhe
a configuração que existe ainda hoje. Existe ainda uma pequena capela dedicada
a Agios Panteleimon. A subida é íngreme, mas as vistas merecem o esforço.
Depois deste esforço, havia que
recuperar energias. Na pequena aldeia de Apolakkia, surgiu a Taverna Amália, e
não havia dúvidas que o almoço seria ali. Os donos, já de uma certa idade, mas
muito simpáticos, serviram-nos umas costeletas de borrego, de sonho!
Verdadeiramente deliciosas, e acompanhadas com uma verdadeira salada grega, foi
uma refeição das que levamos na memória. Um pequeno cão, da casa, circulava
livremente e queria mimos, que teve. Já não nos largou.
De volta à estrada, o destino do
dia, a ponta sul da ilha e a Praia de Prasonisi, onde o Mar Egeu encontra o Mar
do Levante. Durante a maré baixa, forma-se um istmo de areia dourada, que
conecta a ilha a uma península menor. É um dos melhores locais para desportos
aquáticos de vento.
No regresso, paragem numa antiga
fábrica de seda, perto de Kattavia, completamente em ruínas. Construída pelos
italianos, foi abandonada no final da Segunda Guerra Mundial.
Passagem fugaz por Lindos, onde
regressaremos amanhã, à procura de uma farmácia, uma vez que todas as
anteriores estavam encerradas. Com tanta festa a gatos, uma alergia ocular, era
um pouco incomodativa. Aqui em Lindos também não tivemos sorte. Finalmente em
Rhodes, conseguimos descobrir uma.
Rhodes dia 4
Ao contrário de ontem, o dia
esteve com um tempo maravilhoso. Céu limpo, vento muito mais fraco e a
temperatura mais agradável. Hoje foi dia de explorar a costa este da Ilha,
recheada de lindas baías, de areias douradas. Praias completamente desertas, mas
que no verão, com a quantidade de hotéis nesta costa, estarão certamente
apinhadas.
Parámos na vila de Archangelos,
muito simpática, e com uma igreja que merece a visita. O seu chão é feito com
seixos da praia, com padrões geométricos, o que lhe dá uma beleza diferente e
original.
Mas o objetivo do dia era visitar
Lindos, uma pitoresca e tradicional vila, impossível de não visitar. Cheia de
charme, com as suas casas brancas, e as escadarias feitas em seixos da praia,
fica no sopé de uma colina, onde, no seu topo, se encontra a Acrópole e o
Castelo. Esta localidade tem origem na Antiguidade, tendo sido um importante
centro da civilização grega clássica. Ao longo dos séculos foi ocupada por
romanos, bizantinos e Cavaleiros, cada um deixando marcas arquitetónicas.
À entrada da vila, vindo da St.
Paul’s Bay, mas já muito degradado, ainda se consegue visualizar uma parte de
um teatro romano. A baía mencionada, é absolutamente fantástica, com águas
cristalinas, que já pediam um banho.
Por toda a vila os gatos são uma
constante, que nos vão acompanhando, sendo quase os guias da terra, nesta
altura do ano, quase deserta. Mas, sendo uma das localidades mais fotogénicas
desta viagem, ainda bem que tinha poucos visitantes. Quanto aos gatos,
conseguiram terminar com o stock de snacks.
Último jantar em Rhodes, porque
amanhã é dia de regressar a casa. Despedida emotiva do staff do restaurante
onde costumamos jantar.
Rhodes dia 5
Último dia de viagem, desta road
trip por 3 ilhas gregas. Manhã chuvosa, mas que parou à nossa saída do hotel.
Paragem no LIDL para comprar cenouras e ração de gato, porque fomos visitar uma
quinta dedicada à preservação dos já raros cavalos miniatura de Rhodes, a
Faethon Miniature Horses Farm. A par dos cavalos, acolhem também mais de 50
gatos, daí as nossas compras.
Esta quinta é de gestão
particular, fica perto de Archangelos, e Stravos, o seu proprietário luta por
salvar esta raça autóctone de cavalos, da extinção, apenas com apoios de
privados e voluntários. A visita é gratuita e sempre acompanhada pelo dono, e podemos
ajudar trazendo alimentação para os animais. Também podemos contribuir com
donativos e tomar um belo chá na cafetaria de apoio, cujo lucro reverte para a
manutenção da quinta. Um espaço muito interessante.
A chuva volta a cair e a última
visita seria à Cruz de Filerimo, perto da vila de Lalyssos. A cruz fica no
monte de Filerimos, que sempre foi considerado sagrado desde a Antiguidade. Os
Cavaleiros de São João construíram no seu topo o Mosteiro com o mesmo nome. Por
todo o recinto se encontram pavões, às centenas, que correm rapidamente para os
carros em busca de comida, que pelo que nos apercebemos, é um hábito local.
A cruz tem uma vista fabulosa, e
o céu carregado, com o sol a romper em pequenos raios, deu à visita um aspeto
misterioso, espiritual, quiçá fantasmagórico! Uma grande despedida para nós.
Esta road trip foi uma viagem
muito interessante, numa época muito tranquila para viajar, evitando a confusão
do verão, que, tirará muita da beleza aos locais que tivemos o privilégio de
visitar, sem confusão alguma. É uma altura muito interessante para se conhecer
a beleza destas ilhas e toda a sua rica e muito interessante história. Os
preços são também muito mais económicos, em tudo! Recomendamos vivamente esta
viagem!
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