Crónica 7 –
parte asiática
Parte asiática de Istanbul, uma pérola por
descobrir e explorar. Vindos da parte europeia, podemos chegar de metro,
autocarro ou barco. Sobre o metro, já falámos da linha Marmaray, pelo que nos
vamos dedicar às ligações fluviais.
Um dos pontos
de chegada é Kadıköy. Pode-se apanhar o barco em vários locais da margem
europeia, como Eminönü, Karaköy ou Kabataş.
Kadıköy é ideal para explorar uma Istanbul mais local, mais jovem e artística, longe das multidões dos locais turísticos. Tem um bazar aberto, repleto de pequenas lojas que vendem comida, especiarias, queijos, azeites, doces e muitas peixarias.
Aqui podem encontrar pequenas lojas vintage, apetecíveis de entrar, com muitos discos de vinil, alguns bem raros, e livros usados. Galerias de arte que promovem jovens artistas são um dos ex-libris do bairro. As ruas estão repletas de murais, o que dá uma espetacular cor ao bairro. Os preços são muito mais baratos do que no lado europeu e muitíssimos mais baratos do que na zona turística europeia. O nosso barómetro é o preço do chá. No lado europeu, 40 TL, na zona turística 80 TL, aqui apenas 15 TL.
Quase como um sub-bairro de Kadıköy, encontramos Moda, um local muito tranquilo para um passeio a pé, ou, para quem preferir, de elétrico clássico, quase como o 28 de Lisboa. Este bairro é o dos cafés de autor e alternativos. Para quem adorou Breaking Bad, há que visitar o Walter’s Coffee Roastery, inspirado nesta popular série da Netflix. Com vários teatros independentes, Moda é um dos centros culturais mais importantes do lado asiático.
Fenerbahçe é o clube “asiático” de
Istanbul. Por aqui passaram também alguns jogadores portugueses, como Nani e
Bruno Alves. Mas o sucesso vem de treinadores como Jorge Jesus e agora José
Mourinho.
De autocarro
direto, desde o terminal junto aos barcos, imperdível a visita à Mesquita
Şakirin, uma construção contemporânea, que marca uma era de inovação na
arquitetura religiosa turca. A cúpula foi feita em painéis metálicos escamados,
e os minaretes são mais esguios. O interior foi projetado pela primeira vez por
uma mulher. A fonte no pátio tem uma esfera que reflete o céu e a mesquita.
Foram utilizadas técnicas sustentáveis de construção, o que a tornou na
mesquita mais neutra em carbono do país. Mesmo ao lado o Cemitério
Karacaahmet, onde é frequente estarem a decorrer cerimónias fúnebres.
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| Mesquita Şakirin |
Mais um autocarro até à Mesquita de Çamlıca, a maior da Turquia e uma das construções mais impressionantes da cidade, quer em tamanho, quer em arquitetura. Localizada numa colina, é visível de vários pontos de Istanbul. Tem capacidade para 63 mil fiéis, e as vistas sobre a cidade são magníficas.
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| Mesquita de Çamlıca |
Outro local de chegada é Üsküdar, um bairro mesmo em frente a Beşiktaş. Mais um dos pontos preferidos dos pescadores desportivos, que se distribuem pelas margens do Bósforo, quer pescando, quer em animadas conversas quando o peixe não aparece. O mercado do peixe é de visita obrigatória, e se for hora da refeição, aproveitem para apreciarem um belo peixe fresco ou marisco, comprado na banca e cozinhado logo a seguir, uma vez que muitas das bancas são entradas para restaurantes nas traseiras, onde cozinham o que se compra.
Renovada
recentemente, a “marginal” da orla do Bósforo, é o local ideal para
relaxar, beber um chá e comer um Simit. Com sorte, aparecem numa novela turca,
uma vez que é zona de muitas filmagens.
Imperdível, em termos de arquitetura, a Mesquita
da Faculdade de Teologia da Universidade Marmara. Autocarro desde Üsküdar,
ou metro. O formato da mesquita é inspirado no movimento espiral do universo,
com um design inovador e muito harmonioso. Tem também um centro cultural e um
café, ideal para tomar um chá, enquanto se aprecia toda a beleza da sua
arquitetura interior. Bem perto, um dos melhores locais para nos deliciarmos
com o famoso Kokorec.
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| Mesquita da Faculdade de Teologia da Universidade Marmara |
Para os resistentes das caminhadas, aconselhamos o trajeto pedestre desde a mesquita até ao bairro de Kuzguncuk. Um bairro muito pitoresco, boémio, recheado de casas de madeira coloridas. As padarias e as pastelarias são das melhores que podemos encontrar, com produtos de altíssima qualidade. O percurso, que atravessa zonas residenciais, tem vistas magníficas para o Bósforo, e merece o esforço.
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| Bairro de Kuzguncuk |
Mais um autocarro, desta vez até ao Palácio Beylerbeyi, na nossa opinião, um dos mais bonitos de Istanbul. Fica mesmo nas margens do Bósforo, no bairro que lhe dá o nome. Construído no século XIX, em estilo neobarroco europeu com bastantes influências otomanas. Era a residência de verão da família imperial otomana e local para receções a dignitários estrangeiros. O interior é luxuoso, com mármores brancos e grande lustres da Boémia. Tem jardins exuberantes, com vários terraços, fontes e plantas exóticas, sempre com vistas fantásticas para o Bósforo. Tem a característica de ter um sistema de refrigeração no subsolo, feito com mármore, para manter a temperatura mais fresca no verão.
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| Palácio Beylerbeyi |
Parte asiática, que terá uma exploração mais dedicada e quase exclusiva, no nosso próximo regresso a Istanbul.
E assim
terminamos as crónicas sobre uma cidade vibrante e única, que conecta dois
continentes, Europa e Ásia, dividida pelo Estreito do Bósforo. Com uma história
milenar, a cidade é um mosaico cultural, que encanta os seus visitantes, com a
sua atmosfera e energia vibrantes, tornando-se assim uma das cidades mais
fascinantes do mundo.
Merhaba
é a palavra que gostamos de ouvir, uma vez que significa olá, e também que
estamos lá de novo. Güle güle, ou adeus, a que menos gostamos, pois
significa que estamos de saída. A que está sempre no nosso pensamento, Geri
dönelim, vamos voltar!
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