COREIA DO SUL - Jeju - Crónica 8 de 9

 

Crónica 8 – Jeju – dias 3 e 4

Dia 3

Hoje o dia estava reservado para este. A primeira paragem foi na cascata Jeongbang, lindíssima, porque a água cai para o mar e estava com um caudal grande, o que provoca um efeito visual e sonoro muito interessante. A descida até à cascata é fácil e vamos dar a uma praia de pedra vulcânica. 

Cascata Jeongbang

Percebi que o melhor ângulo para se fotografar, obrigava a entrar nas pedras, o que fiz. Pedras não muito grandes, rugosas, o que dá boa aderência, fixas, o que também é bom, para não oscilarmos. Deve-se fazer isto principalmente em férias e num local muito longe de casa? Não… Porque os acidentes acontecem. Foi o que aconteceu deste vez. Estava já apoiado em duas pedras para tirar umas fotos, quando me sinto a descair para trás, e não consegui recuperar do desequilíbrio. Felizmente, com um agachamento rápido, acabei por cair de costas, em câmara lenta, sem algum tipo de dano, pensei eu numa primeira instância. Um turista chinês veio em meu auxílio e começou a apontar para a minha mão direita, com um ar assustado. Tinha um feio golpe na palma da mão, perto do polegar, que sangrava abundantemente, e nem tinha dado por isso. De imediato sacou de uns guardanapos do bolso, que utilizei para estancar o sangue. Na realidade foi o único problema visível e que se confirmou. Certamente ao tentar arranjar apoio para a queda, uma rocha vulcânica, com as suas irregularidades, rasgou a mão. Nem percebi o desequilíbrio, que, depois de ter pensado bastante, pode ter sido provocado por estar a fotografar com objetiva fixa, e ter inconscientemente feito “zoom” com o meu corpo. 

Cascata Jeongbang

Voltando ao golpe, ainda tentei resolver o problema no posto de turismo à entrada da cascata, mas não seria fácil resolver isto sem uns “pontos”. Indicaram-nos um hospital perto, e a vantagem do carro automático é que conseguimos conduzir com uma mão. No hospital fui excelentemente bem tratado. O processo foi rápido e profissional. Quatro radiografias depois, 7 pontos, 3 injeções, penso feito, estava apto para continuarmos a viagem do dia. Nós viajamos sempre com seguro de viagem da IATI, que contactámos para este efeito por WhatsApp, na altura do acidente, para gerar uma referência de processo. Pagámos a despesa no hospital, e assim que chegámos a Portugal, enviamos os comprovativos dos custos, que muito rapidamente nos reembolsaram.

Cratera da vila de Seongsan-ri

Como vos disse, a viagem de hoje é para Este, com um objetivo de conhecermos melhor a cultura das mulheres Haenyeo. Tínhamos como destino, a vila de Seongsan-ri, onde todos os dias, há demonstração da atividade destas mulheres. Infelizmente, não conseguimos chegar a tempo, devido ao atraso que tivemos. Nada está perdido e aproveitámos para conhecer a zona. Esta vila também é muito conhecida pela cratera Seongsan Ilchulbong, uma impressionante cratera vulcânica, completa e em forma de tijela, resultado de uma erupção vulcânica submarina. Pode-se subir até ao topo, mas à hora em que lá estivemos, o calor era imenso, e optámos por não o fazer.

Mulheres Haenyeo

Voltando às mulheres Haenyeo, ou as mulheres mergulhadoras, elas são uma tradição viva e única. Fazem mergulho livre para recolher frutos do mar, como abalone e ouriços, bem como algas que se utilizam na culinária. Passaram a ser reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO, em 2016. A grande maioria já tem mais de 60 anos, e continuam a mergulhar diariamente, sempre que o mar o permite. O seu número está em declínio, porque as gerações mais novas não seguem esta profissão. O governo coreano tem tentado revitalizar esta atividade, oferecendo bolsas mensais, isenção de impostos, e tem criado infraestruturas junto aos pontos de entrada no mar, construindo casas que servem de ponto de apoio a estas mulheres, e onde podem trocar de roupa e guardar o equipamento.

Mulheres Haenyeo

Como não conseguimos encontrar nenhum grupo dentro de água, fomos ao museu Jeju Haenyeo, completamente dedicado a estas fabulosas mulheres. Uma visita imperdível, porque o espaço conta na perfeição a história desta atividade.


O resto da tarde, foi passado a explorar toda a orla costeira, no regresso ao hotel, num percurso paisagístico muito interessante.

Ao jantar percebi que também consigo comer com “pauzinhos”, utilizando a mão esquerda.

Dia 4

Último dia em jeju, e dia de apanhar voo de regresso a Seoul. Com o contratempo de ontem, e termos muito interesse na cultura das mulheres Haenyeo, decidimos alterar o programa de viagem, e regressar a Seongsan-ri.

Optámos por fazer a estrada costeira e finalmente encontrámos mulheres Haenyeo, e regressar da sua faina. Já em terra, muitas delas e tirar os fatos de borracha. Impressionou-nos a idade delas. Algumas teriam certamente mais de 70 anos.

Mulheres Haenyeo

Em Seongsan-ri chove, e durante a manhã, o tempo tem alterado para pior, com o mar cada vez mais encapelado. O calor, esse, continua forte. Subir à cratera ainda se tornaria mais difícil hoje do que ontem. Os ponchos para a chuva, ainda nos fazem perder mais água. Mas hoje estávamos a horas decentes e com muita antecedência para a demonstração, que acontece numa pequena enseada, perto da cratera. Descer as escadas para o local é um feito único, com a quantidade de “influencers” a tirar fotos, que entopem tudo. Finalmente chegamos, e… demonstração cancelada pelo estado do mar.

Mulheres Haenyeo

Mas a viagem não estava perdida, porque almoçamos no restaurante explorado diretamente por estas mulheres. Frutos do mar fresquíssimos, e como é usual nestas paragens, mantidos vivos, para serem o mais fresco possível. Comemos um arroz de abalone, simplesmente delicioso.

E hora de seguir para o aeroporto, para entrega da viatura e voo para Seoul.

Ao contrário do que acontece na maior parte dos aeroportos do mundo, aqui na Coreia, o preço dos restaurantes no aeroporto, é o mesmo que fora. E quem diz restaurantes, diz tudo. Não há aumento de preço por ser no aeroporto.

Amanhã, é dia de estarmos com a nossa amiga Song, que conhecemos na nossa viagem à Namíbia, em camião 4X4, e com que mantivemos sempre contacto, tendo ela já estado há uns anos duas semanas de férias na nossa casa. Desta feita, foi a nossa vez de retribuir a visita.

Sendo este o único dia para estarmos com ela, domingo, deixamos por visitar a DMZ, a zona desmilitarizada, na fronteira com a Coreia do Norte. Ficam já com a indicação, que a DMZ encerra à segunda-feira. Mas era impossível não estar com a Song.

 



vila de Seongsan-ri

vila de Seongsan-ri


 


Mulheres Haenyeo

Mulheres Haenyeo

Mulheres Haenyeo

Mulheres Haenyeo

Mulheres Haenyeo


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