COREIA DO SUL - Jeju - Crónica 7 de 9

 

Crónica 7 – Jeju – dias 1 e 2

Dia 1

Hoje não havia tempo para dormir mais um bocadinho, porque havia um voo para apanhar, para a Ilha de Jeju. Uma hora de voo entre Busan e o novo destino. Tendo já tudo feito online e não havendo malas para despachar, ainda fomos ao balcão de check-In, colocar fita adesiva isolante, nos terminais dos power bank, que aqui começam a ser um problema para transportar a bordo.

cratera vulcânica extinta, Sangumburi

Nesta ilha, é imprescindível ter viatura para deslocações. As ofertas de Rent-a-Car são imensas, com talvez dezenas de operadores. Já tínhamos reserva prévia, pelo que foi apenas descobrir qual o transfer gratuito que nos levaria à nossa agência, uma vez que todas elas são fora do aeroporto. Imprescindível ter a carta de condução internacional. Em Portugal tratam facilmente no Automóvel Club de Portugal. Pela primeira vez, não nos pediram nenhum cartão de crédito para reservar um valor de caução. Haverá algum sistema eletrónico que envia as multas de imediato? Mais uma vez a surpresa da viatura. Alugámos o mais pequeno que havia, e deram-nos um carrão, com estofos em pele, mudanças automáticas, ajuste automático do banco do condutor, informação sonora de limites de velocidade, GPS, entre muitas outras coisas. Soubemos que todas as viaturas Lotte/Hertz, têm sistema de navegação incorporado, com possibilidade de várias línguas. Na realidade preferia um mais manual, porque se está a perder o prazer da condução pura, mas nas férias, estas mariquices dão o seu jeito.

Conduzir na ilha é muito entediante. Os limites de velocidade são muito baixos. Grande parte da estrada é de 50 km por hora. Em muitas zonas passa a 30 km Hora. A velocidade legal mais alta é de 80 km hora e apenas em 2 ou 3 locais. Os semáforos é estilo americano, e ficam no outro lado da estrada.

Hora de almoço e um pequeno restaurante chamou-nos a atenção. Entrámos e logo fomos observados por alguns grupos de idosos, que conviviam alegremente bebendo Soju, uma bebida muito típica no país, equivalente ao saqué japonês. O restaurante era explorado por duas senhoras, já com alguma idade. Uma atendia à mesa e a outra cozinhava. Em inglês não havia nada e o tradutor do telefone deu uma ajuda na escolha. Um prato de barriga de porco. Pelas fotos tinha aspeto de ser bom. Ficámos com a sensação de que deveremos ter sido os primeiros ocidentais e comer ali, tal não era a curiosidade com que nos observavam. Até a cozinheira fez questão de vir falar connosco, apenas falando em coreano, assim que nos serviram as guiozas e a barriga de porco. Quis perceber se iríamos gostar da sua comida. A escolha foi mesmo acertada. As guiozas, cozinhadas ao vapor, estavam deliciosas e o porco, com ervas e cebola, estava de ir à lua e voltar. Fotografei o nome do prato para tentar descobrir a receita e recriar em casa. Um almoço fantástico, com excelente comida, pessoas muito simpáticas, enfim, mais um tasco estrela Michelin! No final, despedimo-nos de todos em coreano, o que ainda deixou o pessoal mais sorridente.

cratera vulcânica extinta, Sangumburi

A caminho do nosso alojamento, paragem na cratera vulcânica extinta, Sangumburi. Esta cratera tem a particularidade de não ter cone visível, sendo circular e rasa e com um diâmetro grande, de 650 metros. Foi formada por uma explosão freatomagmática, daí não ter o cone. A floresta, bastante densa nesta área, já tomou conta de toda a cratera. Um capim alto envolve todo a restante paisagem, e os avisos de cobras são bastantes, pelo que não é aconselhável sair do percurso assinalado.

cratera vulcânica extinta, Sangumburi

De volta à estrada para visitar a vila tradicional Seongeup, ainda habitada, e com 600 anos de história. Tem ainda muitas casas de construção tradicional, chamadas de hanok, feitas de pedra vulcânica com telhados de colmo, bem amarrados, para suportar as fortes tempestades que por vezes assolam a ilha. 

Vila tradicional Seongeup

Aqui descobrimos a primeira loja self-service. Entramos, escolhemos, pagamos, sem nos cruzarmos com alguém. Aproveitámos para comprar vários produtos ligadas à tangerina, um dos principais produtos da economia local. A ilha é muito conhecida pelas suas tangerinas, e uma parte muito importante da economia local, gravita em torno deste fruto, quer no fruto em si, em produtos alimentares processados, quer em merchandising, tudo de e com tangerinas. A confiança dos habitantes aqui é tanta, que entrámos numa igreja cristã, e as pessoas deixam os óculos de leitura ao pé das suas bíblias, nas cadeiras onde habitualmente se sentam.
Vila tradicional Seongeup

Nestes dias na Ilha, iríamos ficar na localidade de Seogwipo, que fica a sul, e alojados no BK Hotel, https://bkjeju.com-hotel.info/. É a segunda maior cidade de Jeju, mesmo à beira bar. Depois do jantar, num restaurante local, visitámos o mercado tradicional Seogwipo, onde tudo gira à volta da tangerina. Provámos dois gomos do fruto, que, sendo bom, já comemos muito melhor em Portugal.

Dia 2

Segundo dia na Ilha de Jeju. Desta vez pequeno-almoço no hotel. Mas com poucas mordomias. Se queremos ovos, teremos de ser nós a fazê-los em dois fogões que existem na sala de refeições. Pede-se também que toda a louça seja deixada junto à cozinha. Nos restaurantes também se faz assim, não havendo serviço de mesa, na maior parte deles.

Caminho para a cascata Cheonjiyeon

Começamos por visitar a cascata Cheonjiyeon, mesmo à saída da cidade. Paga-se entrada simbólica, mas de bom grado. Todos os locais que temos visitado, possuem WC impecavelmente limpos, locais para encher garrafas de água, nada de lixo no chão, entre outras particularidades. É um valor pago com agrado, e que se vê ser bem utilizado.

Cascata Cheonjiyeon

Para se chegar à cascata, há que percorrer um trilho plano de 400 metros, bem agradável e fresco, numa floresta subtropical densa e exuberante. Merece a pena porque a cascata é bem bonita.

Caminho para a cascata Cheonjiyeon

Seguindo a estrada para oeste, poucos quilómetros adiante, paragem no Jeju Olle Trail, um trilho que serpenteia ao longo da costa bem recortada, que passa na pequena península, a Seopjikoji, onde podemos observar as colunas basálticas prismáticas, formadas pelo arrefecimento da lava, que assumem normalmente a forma hexagonal.

Continuando de carro para oeste, sempre que possível junto à costa, vamos passando por pequenos portos de pesca, numa paisagem sempre de rocha preta, que contrastando com o azul-turquesa do mar, cria uma paisagem lindíssima. 



Num troço de costa, algo se terá passado, dada a concentração de polícias e bombeiros que perscrutam o horizonte. Ainda fizemos a boa ação do dia, porque encontrámos na estrada uma ferramenta deixada cair por um bombeiro, que deixámos na viatura estacionada um pouco mais adiante.

colunas basálticas prismáticas

Já estávamos com saudades dos triângulos de arroz recheados, e cobertos com alga seca, pelo que assim que vimos um 7-eleven, paragem para almoço.

Templo Sanbangsan Bomunsa

A próxima paragem foi no templo Sanbangsan Bomunsa, na encosta do Monte Sanbangsan, e com umas vistas incríveis para o mar. Nestes templos costumamos ficar sempre algum tempo. São locais com uma atmosfera calma e contemplativa, que nos levam sempre a momentos de paz e reflexão. E com a vista deste, melhor ainda.

Templo Sanbangsan Bomunsa

Com o calor que se fazia sentir, nada melhor que uma ida à praia, e esta ilha é fértil em belos locais para banhos. A escolha recaiu na Hyeopjae Beach. A praia é muito rasa, e com a maré vazia, temos de caminhar 300 ou 400 metros até chegar à água, que estava a uma temperatura deliciosa, onde podemos estar horas “de molho”. Aqui, como em todo o lado na Coreia, a segurança sempre acima de tudo. Crianças e alguns adultos sempre com colete salva-vidas vestido, e dentro de água, uma correnteza de nadadores-salvadores, que vigiam atentamente todos os banhistas, não podendo ninguém passar para lá da linha onde eles se encontram.

De regresso ao hotel, num percurso bastante longo em termos de tempo e não de quilómetros, vimos duas retas com tracejado. Normalmente é sempre traço contínuo. Conduzir aqui é muito lento.

A escolha do jantar recaiu sobre o mesmo restaurante de ontem, mesmo ao lado do mercado, uma vez que tínhamos muito por onde escolher, dentro de pratos típicos coreanos, e a experiência do dia anterior tinha sido excelente. Hoje, as escolhas também estavam deliciosas.

Na rua, era dia de música ao vivo, e na falta de cadeiras, vai-se ao mercado buscar caixas de fruta para fazer de assento.

Algumas notas, sobre aquilo que vamos vendo ao longo dos dias e que achamos interessantes ou não:

                - Semáforos no chão para peões. No passeio existem luzes, que indicam verde ou vermelho para os peões;

                - A maioria das passadeiras tem grandes guarda-sóis no passeio, para proteger os peões do calor;

                - Egg tart, ou o nosso pastel de nata. A evitar… uma imitação péssima!

Vila tradicional Seongeup

 

Vila tradicional Seongeup

Vila tradicional Seongeup - curiosa instalação que retrata o antigo WC

Vila tradicional Seongeup

cratera vulcânica extinta, Sangumburi

cratera vulcânica extinta, Sangumburi - atenção às serpentes

Caminho para a cascata Cheonjiyeon

Caminho para a cascata Cheonjiyeon

Caminho para a cascata Cheonjiyeon

Caminho para a cascata Cheonjiyeon









colunas basálticas prismáticas



Templo Sanbangsan Bomunsa

Templo Sanbangsan Bomunsa

Templo Sanbangsan Bomunsa

Templo Sanbangsan Bomunsa

Templo Sanbangsan Bomunsa

Templo Sanbangsan Bomunsa

Templo Sanbangsan Bomunsa



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