25 de dezembro 2014
Dia de Natal. Outro dia de
despertar cedinho, porque havia mais uma carga de presentes para colocar no
Jimny.
O dia hoje começou pelo interior. Nas aldeias, paragens para distribuição de presentes. Permanência mais longa na Roça Monte Café a principal roça produtora de café de São Tomé, fundada em 1958. As crianças aqui foram muito ordeiras, e todos os que apareceram levaram presentes.
Perto da Roça fomos à Cascata de São Nicolau e um pouco mais adiante
ao Jardim Botânico do Bom Sucesso. Este jardim foi criado com a ajuda da
Birdlife International Africa, com o intuito de conservar a flora endémica de
São Tomé. A ajuda acabou e o jardim subsiste com muitas dificuldades notando-se
a pouca manutenção. O Sr. Francisco fez questão de nos ir explicar as árvores e
plantas do jardim. Pessoa de grande conhecimento, com explicações detalhadas
das plantas e da sua utilização quer comercial quer medicinal. A casca de uma
árvore quando cortada cheirava mesmo a amêndoas, uma outra a canela. Uma erva
cheirava lindamente a coentros, não o sendo. Uma outra, a Mimosa Pudica,
fecha-se quando lhe tocamos.
Assinado o livro de visitas, partida para Bombaim, uma roça de difícil acesso, com acesso apenas por picadas na selva. Seriam 2 horas para ir e voltar, numa máquina de lavar em que o Jimny se transformou. Mas a beleza do caminho, talvez o mais bonito da viagem, no meio de selva intensa, mereceu bem a pena.
No percurso não perder a cascata de Bombaim. O único edifício em melhor estado de conservação era a casa do patrão da roça, agora transformado em Hotel Rural. A origem do nome de Bombaim deve-se ao facto de ter sido administrada por uma família indiana, que levou o mangostão para a ilha. Os restantes edifícios estavam completamente degradados e semidestruídos. Numa busca de spots fotográficos demos com uma família que dançava na rua, festejando o Natal. A hora de almoço estava perto e para nosso espanto, pessoas que nada tinham convidaram-nos para almoçar com eles, costeletas de porco e batatas fritas. Com pena nossa, porque teria sido um prazer partilhar esta refeição, não pudemos ficar, pois prometemos ao Wilson que o dia ia acabar cedinho, para ele se juntar à família. Acabámos por beber uma Rosema, cerveja local, e partilhar um momento curto e singelo, mas de uma beleza e importância enormes. Já nem tínhamos presentes para entregar às crianças e isso deixou-nos muito tristes.

Acabámos por combinar com os pais
que íamos deixar dinheiro aos filhos para eles comprarem um presente, quando fossem
à cidade. Nunca saberemos se isso aconteceu. Regresso à cidade deserta por ser
Natal, para libertar o Wilson, tal como prometido. Aproveitámos para passear na
agradável marginal junto ao hotel. A certa altura três jovens vêm ter connosco
para nos vender artesanato. Não comprámos e a Ana disse-lhes que estava era a
apetecer-lhe um coco. Os miúdos arregalaram os olhos, desataram a correr em direção
a um coqueiro, que treparam agilmente e trouxeram 3 cocos. A casca verde foi
partida no alcatrão, a palha tirada com os dentes, a carapaça partida com uma
pedra. A água de coco estava bem fresquinha e o coco estava delicioso. Desta
vez mereceram o dinheiro. Acabámos por ficar ali na conversa, a fumar cigarros.
Um tinha 16 anos e já não estudava. O outro com 18, andava no 7º ano à noite.
Outro ainda queria acabar o 12º ano e ir para Lisboa estudar Direito.
Ao jantar comida africana como
tem de ser. Calulu de peixe e molho de fogo. Molho de fogo esse, que seria
acompanhado de fruta pão assada, mas… não havia. Existe por todo o lado, mas no
restaurante deixaram acabar. Bem-vindos a África e a um ritmo muito próprio. É
isso que nos faz voltar. “Leve Leve”.
Dia 5
26 de dezembro 2015
Hoje rumámos ao sul, com primeira
paragem na Roça de Água Izé, uma das maiores de São Tomé, com uma frente de
costa de 12 km e que no seu pico albergou 2500 trabalhadores. Aqui pode-se
visitar o processo de secagem do cacau e experimentar o fruto. Paga-se 1 € por
entrada. Como em todas as roças, as crianças rodeiam-nos e as mais afoitas
metem conversa, na esperança de receberem ofertas. Hoje o dia era para material
escolar, e a alegria de uma criança ao ver um lápis com borracha na ponta, é
algo que não se esquece.
Uns km mais à frente, paragem no rio, onde as lavadeiras o tornam numa tela colorida do mais bonito que há. As suas roupas repletas de cores, espalhadas a secar pelas margens, tornam o rio num local cheio de cor e beleza incomparável.
Banho relaxante na praia Micondo,
com água a temperaturas que por Portugal não se encontra.
Continuámos para sul e o encontro
com a chuva, que por aqui é mesmo torrencial, criando uma cortina que pouco ou
nada se vê o que nos fez voltar para trás, à procura de lugares sem tormenta.
Paragem na Cascata da Praia Pesqueira, onde rapidamente se organizou uma sessão fotográfica. Várias mulheres e adolescentes que lavavam no rio, pediram para lhes tirarmos fotos, sendo que uma adolescente tinha mesmo o desejo de ser modelo fotográfico. Até tinha jeitinho. Entre poses e risadas a ver o resultado no ecrã da câmara, passou-se uma hora deliciosa.
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| Aspirante a modelo, e com bastante jeito |
No regresso, ainda tempo para
parar na Praia das 7 ondas, linda e completamente deserta, e na Praia de Água
Izé.
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| Quando chove, chove a sério |
Terminados todos os presentes,
fomos ao supermercado comprar bolachas, que todas as crianças adoram certamente,
para assim termos mimos para os dias seguintes.
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| Sorrisos que dificilmente serão esquecidos |




































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